Jovens são-joanenses fazem ato em memória das vítimas da tragédia em Mariana

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Foi feito um rio na cor preta demonstrando a morte da fauna causada pela tragédia. - foto: Coletivo Cultivar

Um grupo de jovens são-joanenses realizou no último sábado (05/11) um ato público na Praça do Coronel em memória das vítimas da maior tragédia ambiental da história do Brasil, ocorrida em Mariana, e que completou um ano no dia 05 de novembro. Mesmo com a chuva um bom número de pessoas compareceu para fortalecer o movimento.

Com faixas, cartazes e cruzes os jovens do Coletivo Cultivar trouxeram mensagens de conscientização da população demonstrando a dimensão da tragédia, que ceifou vidas humanas e realizou uma destruição de tamanho incalculável na fauna e flora ao longo de toda a extensão do Rio Doce. Um dos focos do movimento é cobrar providências da Empresa Samarco, responsável pela tragédia.

Cruzes foram colocadas em diversos pontos da Praça do Coronel em memória às vítimas. - foto: Coletivo Cultivar
Cruzes foram colocadas em diversos pontos da Praça do Coronel em memória às vítimas. – foto: Coletivo Cultivar
Os diversos locais atingidos pela tragédia também foram lembrados. - foto: Coletivo Cultivar
Os diversos locais atingidos pela tragédia também foram lembrados. – foto: Coletivo Cultivar

Além do movimento na Praça do Coronel, os jovens vêm realizando também um movimento coletando assinaturas de outras pessoas que compreendem a dimensão do problema e exigem que a empresa responsável realize de fato as ações para despoluição do rio, desenvolvimento de atividades para recuperação do ecossistema e apoio às famílias que perderam parentes, amigos e pertences.

No distrito de Bento Rodrigues, em Mariana, também houve protesto e os manifestantes realizaram um culto ecumênico. A ação foi realizada pelo grupo do Movimento dos Atingidos por Barragens, de Regência, no Espírito Santo. Eles foram dar apoio às vítimas do acidente e participar de atividades e debates sobre saúde e direitos humanos dos atingidos pela tragédia.

Para mais informações sobre este movimento e outras ações do Coletivo Cultivar clique no link.

Atingidos em Mariana ainda não sabem quando serão indenizados pela Samarco

Moradores de Bento Rodrigues, Paracatu e Gesteira, distritos de Mariana (MG) devastados pela lama de rejeitos que se espalhou quando se rompeu a barragem de Fundão, ainda não sabem quando serão indenizados pelas perdas. Segundo o Ministério Público de Minas Gerais (MPMG), os valores indenizatórios serão decididos na Justiça.

Para garantir um amparo mínimo aos atingidos, o MPMG acionou judicialmente a mineradora Samarco, responsável pelo acidente, e conseguiu celebrar um acordo para o pagamento de um adiantamento. Quem perdeu casa recebeu R$20 mil e quem perdeu moradia de fim de semana R$10 mil. As famílias das 19 pessoas que morreram tiveram um adiantamento de R$100 mil. As casas que serão construídas pela Samarco nos novos distritos também fazem parte da indenização. A previsão de entrega é a partir de 2018.

Além do adiantamento das indenizações, a Samarco garantiu aos moradores o pagamento de aluguel em casas de Mariana e criou um cartão para concessão de um auxílio a todos os que perderam renda. O cálculo do total pago a cada beneficiado inclui um salário mínimo mais 20% para cada dependente, além do valor de uma cesta básica. Este auxílio se trata de um direito assistencial dos atingidos e não configura indenização.

Doações

Além dos auxílios de responsabilidade da empresa, os atingidos contaram com a solidariedade. A prefeitura de Mariana recebeu R$ 1,3 milhão por meio de doações em uma conta criada após a tragédia. Em acordo com o MPMG, cada família recebeu R$ 2,3 mil.

A Arquidiocese de Mariana também recolheu R$ 900 mil para apoio a projetos coletivos dos atingidos. Uma nova iniciativa também já vem sendo elaborada e deve concretizar-se em novembro: uma feira noturna, para que os atingidos possam vender produtos rurais e gerar  renda.

Benefício incerto

Apesar dos avanços nas negociações, a incerteza sobre a continuidade do benefício pago pela mineradora Samarco desde dezembro de 2015 está deixando angustiados os moradores das áreas atingidas. O acordo para que fosse pago um auxílio aos atingidos tinha duração de um ano, prazo que termina em dezembro.

Segundo o Comitê Interfederativo, criado para fiscalizar a reparação dos danos, atualmente há 7.811 titulares do cartão. Isso inclui não apenas as famílias que viviam nos distritos devastados, bem como outros trabalhadores que tiveram a renda impactada, como pescadores ao longo da bacia do Rio Doce.

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